14 de novembro de 2019
Polícia é número e todo mundo sabe disso, menos o SINPOL/PE

Polícia é número e todo mundo sabe disso, menos o SINPOL/PE

Sindicato que abonar PL que defende ação de policiais em assaltos a ônibus em troca de transporte gratuito para esses servidores. 

Em vez de leis esparsas, ASPOL/PE vislumbra aprovação da Lei Orgânica para os policiais civis, onde estariam disciplinadas todas as prerrogativas da categoria. 

18.03.2014

A diretoria do Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL/PE) quer abonar o Projeto de Lei estadual no qual está exposto que até dois policiais podem e devem salvaguardar e prevenir assaltos a ônibus em troca do direito de serem gratuitamente transportados.

É espantoso pensar que essa política de escambo seja simpática aos olhos de um político, mas o mais chocante ainda é saber que ela é reverenciada pela própria entidade classista da categoria. Essa postura é uma clara manifestação de apreço à desvalorização da função policial e de anuência à exposição de sua identidade, cujo sigilo é uma prerrogativa que não deve ser alienada.

Essa postura do Sindicato diante da classe que “deveria estar defendendo” não é novidade, mas defender que é digno mendigar por passagens a donos de empresas de ônibus é humilhar a categoria. A situação é extremamente vexatória para os policiais civis, sobretudo quando se leva em conta que a gratuidade de locomoção seria permutada por serviço de segurança privada.

Além disso, o indigitado projeto, que é apoiado pelo SINPOL/PE, condiciona que policiais civis e militares concorram, por viagem, por ordem de chegada, a duas vagas na lotação. A gratuidade está condicionada, ainda, à utilização da farda pelos servidores.

Por salários mais dignos

Essa palhaçada ressuscita a piada patrícia do arrumadinho da suposta espionagem no Sindicato, tratando-se de mais uma vadiagem e de mais um engodo da atual diretoria do SINPOL/PE, que negligencia o fato de que a categoria deveria ter renda compatível com a função que exerce. Não precisamos de migalhas ou esmolas.

Ora, em tempos passados, o policial civil já percebeu rendimentos equivalentes e até superiores a 10 (dez) salários mínimos mensais, não figurando como problema a questão da locomoção ao trabalho, tampouco com moradia, alimentação, saúde, transporte, educação e até mesmo lazer da prole.

Vale a pena lembrar, ainda, que a obtenção de passagens intermunicipais não ensejava preocupação, pois muitas empresas respeitavam a categoria na época em que o Sindicato representava, de fato, os interesses da categoria, que desfrutava de passagens gratuitas.

Hoje, a questão é complemente diversa porque recebemos um dos piores salários de polícia do país. Não há matemático que equacione ou contador que aproprie custeios com moradia, alimentação, saúde, transporte, educação e lazer da prole aos proventos do policial civil pernambucano. Não há milagre! As contas não fecham.

PL inconsistente 

As empresas de ônibus encarnam a figura de permissionárias quando desempenham serviço público de transporte de passageiros, na condição de terceiras ou consorciadas. Essa feição obriga que esses grupos ou consórcios tracem os custos de cada assento, por ônibus, ponderando todos os incentivos e fomentos estatais recebidos, de sorte que essa atividade será sempre superavitária ou lucrativa, sejam ou não ocupados todos os assentos da lotação ou coletivo.

Em relação a esse aspecto, o PL estadual apresentado de forma demagógica pelo SINPOL/PE quer iludir a categoria, propondo que ela se contente com a possibilidade de disputar com a Polícia Militar, cujo contingente é significativamente maior, dois banquinhos para se sentar no percurso para o trabalho.

Esse projeto, na verdade, esconde que a exploração do transporte de passageiros é uma atividade altamente rentável e que a concessão de meias passagens ou passagens integrais não abalam e nem influenciam o resultado do exercício contábil dessa operação.

A questão do transporte do servidor policial para o trabalho não poderia e nem deveria ter qualquer impacto em seu cronograma de custos e desembolsos, devendo ser suportada e integralmente absorvida pelo Estado, eis tratar-se de Política de Segurança Pública.

Sindicato em defesa dos empresários 

Percebe-se que o SINPOL/PE arvora-se no problema que ele mesmo gerou a categoria quando vende a ilusão de resolvê-lo, abonando esse malsinado Projeto de Lei, que só beneficia os donos de empresas de ônibus.

Se a questão é garantir transporte ao policial civil, que as empresas interessadas, através de seus lobistas, dentre eles o SINPOL/PE, apresentem um Projeto de Lei realmente sério, garantindo que os assentos demandados por policiais civis, quando do deslocamento para o trabalho, tenham seus valores efetivamente custeados pelo Estado.

O correto seria que esse Projeto regulamentasse meios garantidores para a devida e efetiva ocupação de assentos pelos grupos ocupacionais da polícia estadual, com o fim de garantir-lhes a gratuidade de transporte ao trabalho, relegando ao SINPOL/PE a missão de reivindicar melhores salários e condições de trabalho para o policial civil e não o título de instituição politiqueira.

Diante de tantas humilhações presentes em um só PL, nos resta reforçar o quando ele é inconsistente e mentiroso. Portanto, essa palma deve ser devolvida pela categoria, com todos os seus espinhos, para a diretoria do Sindicato, bem como o Projeto de Lei à assessoria do nobre deputado que o pariu.

Por um Sindicato mais atuante 

Os policiais sindicalizados que estão descontentes com as decisões escusas do SINPOL/PE terão a oportunidade de escolher uma nova presidência para a entidade de classe nas eleições que acontecerão em breve. Por isso, não deixem de conhecer a chapa de oposição “Resgata SINPOL/PE 2014”, lançada pela Associação dos Policiais Civis de Pernambuco (ASPOL/PE).

A chapa visa unir forças para lutar contra as condições caóticas a que os policiais civis estão submetidos, sobretudo as salariais, visto que Pernambuco paga o 2° pior vencimento do profissional de polícia do País. Além disso, a iniciativa pretende evitar a disseminação de acordos escusos realizados por um Sindicato que, em vez de representar a categoria, é inerte e contrário aos seus anseios, mitigando aumentos salariais que deveriam, no mínimo, acompanhar os índices inflacionários.

Descontente com essa situação, a ASPOL/PE acredita que o policial civil precisa se engajar no sentido de demonstrar à atual diretoria do SINPOL/PE o que é trabalhar, de fato, em prol da categoria. Acreditamos que, com o apoio dos sindicalizados, é possível a vitória da verdadeira chapa de oposição, bastando que os policiais civis filiados votem na chapa “RESGATA SINPOL/PE 2014”.

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